Como é difícil começar a escrever sobre um assunto como esses. O intuito desse blog nunca foi político, mas ele é sobre mim, então, isso pode incluir política de vez em quando. Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados. Um cara que tem tudo nas mãos pra fazer história, mas prefere colocar os seus ideais e religião na frente do povo, na frente dos fatos.
Eu tinha 12/13 anos quando descobri que minha mãe era gay. Ela me disse, na verdade. Não vou ser hipócrita e dizer que fiquei muito feliz com isso, mas eu tinha 13 anos, era criança e ignorante, mereço um desconto, vai? A partir desse dia, eu só soube admirar a minha mãe cada vez mais. Ela foi forte e determinada, com muito medo, mas se abriu pra mim e pra minha irmã, que, na época, eramos as únicas filhas dela. Quando eu completei 15, minha mãe se casou e está casada com minha outra mãe há 11 anos. Quando fomos viver a nossa vida no Rio de Janeiro, nunca imaginaríamos que muita coisa ainda estava por vir... Adotamos (digo adotamos porque não foi só minha mãe e a Alê que adotaram, foi a família toda) meus irmãos quando eles tinham 4 e 5 anos, hoje eles estão com 12 e 13. Já faz oito anos que nossa vida mudou, completamente.
Mais uma vez, não serei hipócrita em dizer que foi fácil! Não foi. Foi muito difícil... Mas estávamos decididas em aumentar a família e adotar era o plano, então entramos de cabeça. Meus irmãos não moravam no pior abrigo do mundo não, mas aquilo estava longe de se chamar "lar". Antes de conhece-los, visitamos outros abrigos que, sem exagero, mudaram a minha vida. Não era fácil ver meninas de 15 e 16 anos abandonadas em um abrigo sem destino certo na vida. Será que alguém as adotariam? Será que hoje, assim como meus irmãos, elas tem uma família? Nunca vou saber, afinal.
Tem uma pergunta que não sai da minha cabeça desde cedo quando li a repostagem do Cunha: Quem ele pensa que é ou que sabe pra dizer que não acha certo uma família gay adotar crianças? Ele já esteve em algum abrigo? Ele já viu, de perto, crianças implorando sem nem precisar dizer uma palavra pra que você as levasse embora dali? Acho que eu sei a resposta... Porque alguém colocaria a religião e Deus acima de crianças que precisam dessas famílias para serem cidadãos? Para terem uma referência? Esse Deus não é o mesmo que o meu, se ele pensa assim...
Hoje os meus irmãos tem amor. Eles tem família, sim! E não é nenhum presidente de câmara nenhuma que vai dizer o contrário. Eles tem brigas também, tem castigo, educação! Eles tem tudo do que uma criança merece e precisa pra crescer com dignidade. E tem mais, muito mais do que um dia imaginaram. Se não fosse o casal gay (no caso, minha mãe) onde eles estariam hoje? Quem sabe? Eu nunca trocaria a minha família por nada nesse mundo. Meus irmãos são tão maravilhosos... Era tão aliviante ver o mais novo falador com os primos no final do ano, falando besteira e rindo. Quem conhece o Luan sabe porque do alívio...rs Ele não tem a melhor dicção do mundo, mas sabe se expressar. Hoje ele faz isso muito melhor em inglês do que em português, vai entender...rs O mais velho, é apaixonado por Beethoven (é assim que escreve?)e música clássica e olha que ninguém lá em casa curte, desabrochou nele mesmo. É dele! E, apesar dele querer colocar nomes estranhos nos meus sobrinhos, eu o amo.
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| Os dois em 2012, no primeiro dia de aula na escola nova, em Londres. |
Um amigo nosso, que também é gay, está em processo de adoção. Desde a primeira vez que vi uma foto deles dois, eu vi um PAI e um FILHO. Eu vi amor! Uma criança carente de tudo que vocês podem imaginar e agora, feliz. Nada no mundo paga o sorriso dele pro pai. Quem é capaz de ir contra isso? Essa pessoa deveria mesmo estar num cargo tão importante?
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| Os dois ano passado, dois hominhos! rs |
Beijos,
Joyce Evangelista.



Que família linda Joyce! Parabéns!!!! ❤️ Adorei seu blog! Beijokas
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